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Mais uma postagem politicamente incorreta pra pra você.

A história (atualizada) do vinho italiano

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Esta é a primeira parte de várias postagens sobre a longa história do vinho italiano. A história é longa e rica, uma postagem seria cansativa e longa. Delicie-se.

Recentes descobertas arqueológicas provaram que as primeiras videiras foram plantadas na Itália pelos etruscos no século VII a. C. (na França ocorreu dois séculos mais tarde, VI a. C., pelos gregos).

Com a ascensão do império romano as videiras se espalharam rapidamente por toda Europa central e ocidental (países litorâneos). Nesse período o vinho passou a ser uma atividade econômica rentável e Pompéia foi a primeira cidade a despontar no comércio de vinhos, tinha a maior produção do império. Com a destruição da cidade pela erupção do Vesúvio em 79 d. C., outras cidades aumentaram suas produções. Com as famosas festas a Bacco (bacchanalias), o equivalente ao grego Dionísio, o vinho caiu no gosto de todas as classes. A festa foi proclamada em 186 a. C. e só o cristianismo conseguiu frear a volúpia do povo pela festividade regada a vinho e orgias que eram usadas pelos imperadores para a procriação dos escravos. Sem saber quem era pai de quem, não havia porque se preocupar com legado, o império criava as crianças até terem idades para o labor escravo. O cristianismo, que finalmente foi instituído como religião oficial no século IV d. C., não só fez o povo se policiar quanto ao pecado da embriaguez como também foi responsável pelos direitos da família e da propriedade privada dos escravos, ou seja, ao instituir o casamento como a única forma não pecaminosa de ter relações sexuais, os imperadores não tiveram mais como proibir os escravos de se casarem, com isso tiveram filhos legítimos e constituíram família e, como todo pai, começaram a se preocupar com o legado a deixar para os filhos, fosse um boi, um cavalo, etc., o legado seria deixado para os filhos. Isto nos faz entender o porquê ideologias que pregam o fim da propriedade privada veem o cristianismo como inimigo mortal. Estas famílias fizeram nascer a era medieval, com o fim do império romano os escravos se tornaram pequenos proprietários de terra onde produziam alimentos e vinho para sua subsistência e vendiam o excedente. Com o tempo o excedente vendido foi aumentando, o que os deu mais dinheiro e poder, os reis atentos aumentavam os impostos afim de enriquecer a coroa mas também para tentar frear o crescimento da nova classe que surgia: a burguesia. O resultado nós todos já sabemos, revoltas e reis depostos, mas isso é assunto para outra conversa.

Com o fim do império romano em 476 d. C., povos antes centralizados em Roma e em seu entorno voltavam pra casa, muitos escravos brancos de olhos azuis viajavam de volta para as terras nórdicas, outros para o sul, e muitos estrangeiros adentravam as terras italianas em busca de vida nova, esse vai e vem desestabilizou a economia e a produção de vinho que, como toda produção que exige gerações de paz e tranquilidade, sentiu o golpe. Quando tudo se normalizou as primeiras cidades a enriquecer com o comércio do vinho foram Gênova, Florença e Veneza, o lucro advinha da própria produção e da importação e venda do vinho de Bordeaux, Borgonha, Reno e Danúbio, esse movimento começou a partir do século X e no século XIII começaram a surgir as primeiras dinastias vitivinícolas, dentre elas os Antinori, uma família já rica com o comércio de seda para a coroa inglesa que começou a investir pesado na compra e venda de vinhos, além de, timidamente, começar a produzir os seus próprios. Mas essa riqueza não era pra todos, enquanto banqueiros e comerciantes lucravam alto com o comércio, os produtores, camponeses, suavam para conseguirem subsistirem. Muitos desistiram e podemos afirmar que a produção de vinho na Itália só resistiu por causa da produção nos mosteiros. Esse declínio só cessou quando começaram a surgir no século XIX, em Piemonte e na Toscana, novo fôlego no comércio de vinhos. A França ajudou muito com suas tecnologias de vitivinicultura e castas indígenas (nativas/autóctones) como a Barolo, Brunello e Chianti foram produzidas com participação ativa de enólogos franceses. Em apenas 150 anos estes vinhos passaram a ter destaque no mundo. Adegas famosas surgiram na época, dentre elas a Bolla, Gancia e Cinzano.

Novo declínio.

A filoxera devastou os vinhedos italianos e as duas grandes guerras mundias arrasaram vinhedos e e muita mão de obra qualificada morreu nos combates, isso imobilizou a produção e venda dos vinhos.

Pós Guerras.

Mal o país saiu da primeira grande guerra adveio a segunda, mas arrasadora ainda. Findada a segunda guerra os viticultores decidiram pelo óbvio: trocar culturas de qualidade superior pelas de grande produtividade, a França e o resto da Europa fizeram o mesmo. A necessidade de aumentar a produção se dera pelo fato de vinho nunca ter sido considerado um luxo para os europeus, era alimento, fonte de calorias importantes. Apenas 15 anos depois, 1960, que o consumidor italiano começou a beber menos “zurrapa” e mais vinhos de qualidade. O consumo per capita caiu vertiginosamente pra quase metade (de 100l para 60l/ano): o vinho já tinha ajudado a sarar as profundas feridas da guerra.

O maior escândalo do país.

A crescente mudança pela qualidade não impediu que algumas vinculas (não vou dizer nomes porque elas ainda atuam no mercado e com excelentes vinhos) adulterassem seus vinhos com etanol. Todos sabem que quanto maior o teor alcoólico mais estruturado, aromático e maior o poder de guarda, além do preço, claro, mas ocorreram mais de 20 mortes por causa dessa atitude irresponsável e gananciosa. Até hoje este é o maior escândalo na industria de vinhos do país.

A reviravolta: os SUPERTOSCANOS.

A busca pela qualidade continuou décadas de 1970 e 1980, vinhas antigas de grande produtividade foram gradualmente substituídas por vinhas de cepas melhores e o sistema de condução acompanhou as mudanças. A influência francesa era clara principalmente no Piemonte e Toscana, nessa última foi tão decisiva a ponto de alguns vinhateiros abrirem mão (parcialmente) das castas indígenas e começarem a produzir uvas francesas como a Syrah, Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay . Piemonte preferiu investir em cepas autóctones de qualidade superior como a Barbera e a Barolo (Sangiovese Grosso). Resultado: Piemonte começou a produzir vinhos mais identificados com a terra e a Toscana vinhos com personalidade cosmopolita, ambos mais intensos, mais frutados e encorpados, mas como classificar os vinhos toscanos que “desobedeciam as regras”? Criaram uma nova categoria para eles: a IGT (Indicção Geográfica Típica), com isso deixaram de serem apenas vinhos de mesa como todos os demais, mas continuaram vinhos de mesa, só que com grife com qualidade e denominação de origem. Com o tempo as cepas francesas foram perdendo credibilidade entre o consumidor italiano ‘italófilo’ que preferem as características únicas dos vinhos produzidos com suas cepas tradicionais mas a toscana continua produzindo e muito seus renomados supertoscanos pois a demanda mundial por eles é grande.

As denominações de qualidade.

Cosme III de Médice delimitou a “primeira” em 1716: Chianti. Esta é a história que você vai ouvir da boca de muitos especialistas, mas na verdade a primeira foi a desconhecida (para nós) Carmignano (Toscana), esta foi a primeira de vinhos tintos (também criada por Médice III), CHianti foi a segunda. Mas a importância de ser uma região de qualidade delimitada por lei só ‘pegou’ a partir do 1963 quando foi criada a denominação D.O.C (Denominação de Origem Controlada) que dividiu os vinhos em duas classes: os de mesa (vino de távola) e os D.O.C.

O que mudou?

A lei regulamentou precisamente as castas que deveriam ser usadas, a comprovação de origem geográficas delas (não podiam mais serem compradas em outra região), o tipo de condução das vinhas e a produtividade delas (controlada com podas mais severas), o passo a passo da elaboração do vinho (como colher, macerar, esmagar, clarificar, tipos de carvalho e tamanho das barricas para o amadurecimento (sim, o vinho só envelhece na garrafa), que informações deveriam constar nos rótulos, etc..

O primeiro vinho a receber a D.O.C foi o branco toscano Dom Vernaccia de San Carmignano, mais de 300 D.O.C foram concedidas nos anos seguintes.

Continua…
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12 respostas

    1. É sim. É tendência mundial entre o pessoal que quer melhorar o mundo derrubando o que já está pronto pra construir outro no lugar. Se você achou nojento, você é normal como eu. Como a maioria.

  1. Sem álcool em gel já estaríamos todos mortos, mas parece que algumas pessoas não entendem como é importante ouvir os especialistas.

  2. Para o brandy ser considerado Cognac, necess rio que as uvas tenham sido cultivadas, fermentadas e destiladas na Fran a, mais especificamente na regi o de Charente, ao norte de Bordeaux. l que est localizada a cidade de Cognac, que deu nome bebida.

    1. Não. Errado.
      O Conhaque originou-se na região de Cognac, próxima a costa leste, quando marinheiros franceses, precisando de espaço nos porões dos navios, resolveram destilar o vinho popular produzido ali. Do acondicionamento dessa bebida destilada em barricas de carvalho, surgiu a cor dourada, hoje típica do conhaque. A região não fica em Bordeaux, fica longe, bem ao norte do outro lado do Garona (Garonne).

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