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Mais uma postagem politicamente incorreta pra pra você.

Entenda como a Winebrands se tornou uma gigante mesmo cobrando preços absurdos por seus vinhos.

Winebrands: a importadora que ‘mete a mão’ no teu bolso.

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O que vou escrever aqui todo sommelier de vinhos já sabe: a Winebrands “mete a mão”.

Contratos exclusivos de importação com grandes casas italianas são o principal motivo: sem concorrência, ela dita o preço e ponto final. Monopólios não são saudáveis em nenhum mercado, nem quando é estatal (vide o Correios), no mercado de vinhos seria diferente?

Monopólio de importação: o vilão a ser derrotado.

Felizmente muitas vinícolas perceberam que o Brasil é um país-continente maior que a Europa e que ter uma importadora por Estado é mais eficaz para a visibilidade e escoamento seu produto. A vinícola Vidigal Wines é um exemplo de como isso dá certo, o importador do Rio de Janeiro se acha esperto e vende os vinhos pelo dobro do preço do importador de Brasília, a Super Adega. Quando o cliente compra e gosta (porque o vinho é bom), vai consultar sobre ele na Internet e plim! Vê o anúncio da Super Adega na primeira linha do Google e nunca mais compra na loja, só pela Internet.

Saiba mais sobre os vinhos da Vidigal Wines clicando na nuvem de tags na página inicial.

“Ah! Mas compra quem quer!”

Não é bem assim que funciona no mundo dos vinhos. Nenhum restaurante de 3, 4 ou 5 estrelas gostaria de perder seu cliente para o concorrente porque lá ele vai encontrar o tão falado Antinori, por exemplo. É assim na realidade paralela dos enófilos ricos: pra eles o preço é o menos importante, o que importa é aproveitar a vida degustando vinhos icônicos.

Sim! Impostos no Brasil pesam no preço.

O cliente sabe que está pagando um preço super salgado pois ele também visita vinícolas pelo mundo (mais de 98% do enoturismo é sustentado por clientes, os 2% restantes por empresários de vinhos e sommeliers), mas cai na conversa mole dos que culpam os impostos que, é claro que influenciam, mas como veremos, não é ao único culpado.

Os impostos aumentaram depois do decreto da presidente Dilma de dezembro de 2016, que aumentou o IPI de R$ 0,78 para 10% do valor da garrafa. Absurdo né? Mas porque você não sabe disso? É porque a mídia só publicava o que o principal anunciante deixava publicar. Repare que isso não é “benefício” exclusivo de governos, as emissoras nunca apresentam notícias ruins sobre seus principais anunciantes. E você aí acreditando na isenção da imprensa, né?

Saiba mais: Decreto, Dilma Roussef, aumento do IPI, sobre Bebidas.

Decreto Dilma Roussef, aumento IPI sobre rações de cães e gatos, sorvete, chocolate e cigarros.

Não satisfeita, Dilma criou a ST – substituição tributária onde + 20% de impostos estaduais (ICMS) que muitas importadoras não pagavam passaram a ser cobrados em 100% das garrafas vendidas no país.

Hoje você paga no mínimo a bagatela de 68% de impostos sobre uma garrafa de vinho e 70% numa de cerveja. Destilados e outras bebidas também foram afetadas mas já detalhei isso em outra postagem.

Só entenda que os impostos são calculados sobre o valor estipulado pela importadora. Se ela inflaciona, todo o resto inflaciona em cascata.


Winebrands e Antinori

A Antinori é uma das melhores vinícolas da Itália e sem dúvidas é a mais conhecida da TOSCANA.

Era importada até 2009 pela então importadora líder de vendas no Brasil, a EXPAND, a empresa declarou falência em 2010 após ter seu dono, Antônio Piva de Albuquerque, condenado a 94 anos de prisão por vários crimes, incluindo evasão de divisas e sonegação de impostos.

Piva é irmão da dona de lojas de luxo Daslu, também condenada e presa pelos mesmos crimes.

Já em 2009 a Antinori enviou Stefano Leone ao Brasil para tentar encontrar outra importadora, a Winebrands foi a escolhida. Já no primeiro mês de vendas os clientes levaram um susto: os preços simplesmente triplicaram, com o passar dos anos os preços chegaram a 5x o que a Expand cobrava. Sim: 500%.

A velha desculpa: colocar a culpa nos impostos que a Expand não pagava, colou por um tempo, mas depois deixou de ter eficácia. Ficou comprovado para o mercado brasileiro que a Winebrands méte a mão, sem dó. E não era só nos Antinori. Tudo que a importadora metia a mão ganhava status de super vinhos, os preços, infelizmente eram de super vinhos mesmo pra vinhos medíocres.

A importadora faz seu marketing em cima dos nomes das vinícolas como se tudo o que saísse de uma super vinícola fosse abençoada pela qualidade dos ícones dela.

Em 2009 um vinho comum como o Santa Cristina custava na Expand R$ 20,00, a Winebrands começou vendendo-o pelo dobro e em 2015 o vinho já custava cerca de R$ 90,00. Dá uma olhada em quanto custava ele no Carrefour e Google Shopping em 2015 e o salto da safra seguinte.

Agora olha quanto custava na Época da Expand (preço de revenda hein!)

Infelizmente não se encontra mais nenhuma publicação da Expandi na Internet hoje, apenas sobre ela. O link da imagem acima está aqui.

Felizmente a Antinori deve ter percebido isso e esse pode ser o motivo do rompimento com a importadora brasileira. É o que rola nas conversas entre profissionais do vinho.


O fim das relações Winebrands x Antinori

Christian Burgos da revista Adega escreveu uma matéria longa explicando como tudo terminou. Vou resumir.

Em julho deste ano a Antinori resolveu romper com a Winebrands. A parceria durou 10 anos e fez a então nbanica Winebrands se transformar na importadora com 40% do mercado no Brasil.

“Antinori vai para seu histórico distribuidor no Reino Unido, a Berkmann Wine Cellars (BWC), grande especialista em on trade. A relação entre Berkmann e Antinori existe há décadas. 

Na década de 1960, o Sr. Joseph Berkmann, tinha vários restaurantes na Inglaterra e achava difícil comprar os vinhos que queria servir em seus restaurantes. Mr. Berkmann então começou a importar vinhos para seu restaurante e depois começou a vender vinho para outros restaurantes com foco na França, mais especificamente na Borgonha. Nos anos 80, Antinori passou a fazer parte do portifólio da BWC. Os restaurantes foram vendidos, mas a Berkmann se tornou o maior importador de propriedade familiar no Reino Unido.

Com Antinori, globalmente, a empresa vai engolir um osso na Índia e um filé no Brasil. A Berkmann nasceu há 5 anos anos, inicialmente no Rio de Janeiro, com a mesma estratégia e foco da matriz, foco no serviço no on trade. E, segundo dados da Ideal Consultoria, a BWC ocupou a posição #72 entre os importadores brasileiros no ano passado, com 0,1% do mercado.”

Christian Burgos / Revista Adega. Julho/2020.

De quebra eles também tiraram da Winebrands a excepcional vinícola chilena Haras de Pirque.

“Se contasse com as vendas de Antinori e Haras de Pirque de 2019, a empresa poderia alcançar a posição #36 entre os importadores brasileiros. Um salto e tanto que está exigindo bastante investimento. “Reforçamos a equipe comercial de São Paulo, vamos contratar um embaixador de marca e investir para aumentar o awareness de todo o portfolio, reforçando o que já foi feito pela Winebrands, que é uma importadora muito bem estruturada.””

Paulo Bruno Cordeiro, CEO da BWC do Brasil


Winebrands e Frescobaldi

Sem a Antinori a Winebrands foi atrás de um acordo com a sua principal concorrente na Toscana que também era trazida pela Expand.

A Winebrands trouxe para seu portfolio outro peso pesado italiano, a Marchesi di Frescobaldi que não acertou sua casa no Brasil desde que saiu da Expand. Frescobaldi foi eleita Vinícola do Ano 2020 pelo prestigiado guia italiano Gambero Rosso, que atribuiu o título “ao sucesso em combinar tradição com visão estratégica e inovação”


Os preços abusivos dos Frescobaldi no Brasil.

Sim, a Winebrands não perdeu a mania. Vou citar como exemplo o vinho mais básico da Frescobaldi, venmdido na Itália por 3 euros e revendido de 6 a 8 euros. vendido aqui no Brasil por R$…. olhe a imagem:

Confira você mesmo se tiver coragem: https://www.winebrands.com.br/vinho-tinto-remole-rosso-toscana-igt-2018–2002970/p

Enquanto isso no mundo real…

O Rémole branco tem menos teor alcoólico (menos corpo) que um Reservado da Concha & Toro mas custa quase 10 vezes mais caro. Não desconfiam que há algo errado?


Winebrands e seu lado bom.

Já que eu mordi a postagem inteira, chegou a hora de assoprar. Não é passar pano, é que tenho que admitir que no mais a importadora é exemplar e merece o status de uma das maiores e melhores do Brasil.

No final das contas é sim uma boa importadora. Careira, mas você sempre pode aproveitar uma ou outra promoção e fazer seu estoque para os meses seguintes como eu fazia com as promoções de Antinori Tenuta Guado al Tasso: comprava um cx por mês e 10 de uma vez quando entrava em promoção.

  • Eles entregam super rápido;
  • Dificilmente erram no rol de produtos comprados x entregues;
  • Quando ocorre algum erro eles corrigem sem burocracias: trocas, edição de notas fiscais, etc..
  • Tem bons prazos para pagamento.

Veja essa matéria de 2011 (mas muito atual) comparando os preços das importadoras brasileiras e revelando AS MAIS CAREIRAS.
GRAND CRU, Zahil, Vinhos do Mundo são as próximas a aparecerem aqui no Uva e Cevada. Aguardem.

OBS: A Winebrands não está na lista porque era uma nanica na época.


Leia também:
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12 respostas

    1. É sim. É tendência mundial entre o pessoal que quer melhorar o mundo derrubando o que já está pronto pra construir outro no lugar. Se você achou nojento, você é normal como eu. Como a maioria.

  1. Sem álcool em gel já estaríamos todos mortos, mas parece que algumas pessoas não entendem como é importante ouvir os especialistas.

  2. Para o brandy ser considerado Cognac, necess rio que as uvas tenham sido cultivadas, fermentadas e destiladas na Fran a, mais especificamente na regi o de Charente, ao norte de Bordeaux. l que est localizada a cidade de Cognac, que deu nome bebida.

    1. Não. Errado.
      O Conhaque originou-se na região de Cognac, próxima a costa leste, quando marinheiros franceses, precisando de espaço nos porões dos navios, resolveram destilar o vinho popular produzido ali. Do acondicionamento dessa bebida destilada em barricas de carvalho, surgiu a cor dourada, hoje típica do conhaque. A região não fica em Bordeaux, fica longe, bem ao norte do outro lado do Garona (Garonne).

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